terça-feira, 3 de agosto de 2010

Sakineh Ashtiani

O islamismo é a religião fundada pelo profeta Maomé no início do século VII, na região da Arábia.

Segundo um artigo no site da Revista Veja, uma minoria entre os cerca de 1,3 bilhão de praticantes da religião islâmica é adepta de interpretações radicais dos ensinamentos de Maomé. Entre eles, a violência contra outros povos e religiões é considerada uma forma de garantir a sobrevivência do Islã em seu estado puro. Para a maioria dos seguidores do islamismo, contudo, a religião muçulmana é de paz e tolerância.

O Islã oprime a mulher?

A base da religião muçulmana não determina qualquer tipo de discriminação grave contra a mulher. No entanto, as interpretações radicais das escrituras deram origem a casos brutais. A opressão contra a mulher é comum nos países que seguem com rigor a Sharia, a lei islâmica, e têm tradições contrárias à libertação da mulher. Assim, o problema da opressão à mulher muçulmana não é causado pela crença islâmica em si - ele surgiu em culturas que incorporaram tradições prejudiciais às mulheres. Um ótimo exemplo disso é o fato de que o uso de véus e a adoção de outros costumes que causam estranheza no Ocidente muitas vezes são mantidos por mulheres mesmo quando não há nenhuma obrigação. Ou seja: os hábitos estão integrados às culturas, não necessariamente à religião.

Ponto.

Um dos problemas do Regime Fundamentalista Islâmico é a violência aplicada aos indivíduos que cometem certos atos considerados crimes. Um bom exemplo é o adultério.

Como todos já devem saber, a "traição" é motivo de morte nos países que utilizam esse tipo de modelo governamental.

Recentemente, ativistas em todo o mundo, lutam contra a morte de Sakineh Ashtiani, uma senhora de 42 anos e mãe de dois filhos. Especula-se que a mulher teria traído o marido com dois homens.

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, não interferiu na decisão judicial de apedrejamento de Sakineh. O presidente Lula até ofereceu asilo no Brasil à condenada, enviando a proposta - que provavelmente será recusada - ao governo iraniano.

A Coordenadora do Comitê Internacional contra Execução e Apedrejamento, Mina Ahadi, enviou nesta terça (3) uma carta aberta ao presidente Lula, na qual disse que "Este é um regime que executa mais pessoas per capita que qualquer outro governo no mundo. Um regime como este não pode ser reconhecido por organizações internacionais e chefes de Estado".

Veja:

"Carta aberta ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva

Um regime com apedrejamento não deve ser reconhecido

Caro Presidente Lula da Silva,

Sua oferta de asilo a Sakineh Ashtiani, que foi setenciada à morte por ter mantido uma relação fora do casamento, é um importante passo para salvar a ela e seus filhos. Eu espero que junto com outras ações e esforços internacionais que milhões de pessoas estão fazendo agora mesmo possamos salvar Sakineh e que ela e seus filhos possam se abraçar novamente em breve.

Enquanto escrevo esta carta vejo o rosto de Maryam Ayoubi, que foi apedrejada até a morte em 2001. Vejo também o rosto de Shahnaz, Shahla, Kobra e dezenas de outras mulheres que foram enterradas até a altura do peito i mortas por pedras lançadas contra elas. Continuo a ver estas imagens diante dos meus olhos. As vozes de seus filhos me dizendo: “Nossa mãe foi morta a pedradas”. Eu ainda os ouço. Este é o regime islâmico. As leis no Irã não podem sobreviver um dia sem execuções, terror e espalhando medo. Embora este regime tenha recuado um pouco devido à pressão para libertar Sakineh, eles continuam espalhando medo na sociedade e executando prisioneiros, especialmente os prisioneiros políticos.

Hoje, 2 de agosto, nove pessoas foram sentenciadas à morte em Kerman. Além disso, a promotoria em Teerã condenou seis presos políticos à morte, entre eles Jafar Kazemi, que pode ser executado a qualquer momento. Zeynab Jalalian, outra prisioneira política também corre risco iminente de ser executada. Há mais pessoas nesta lista de execuções: Mohammad Reza Haddadi foi sentenciado à morte ainda quando era menor e pode, agora que completou 18 anos, ser executado a qualquer momento. Há mais de 130 menores na prisão condenados à morte. O regime islâmico é o único no mundo que executa menores.

Presidente Lula da Silva, hoje há 17 famílias de presos políticos em greve de fome em frente à prisão de Evin, em Teerã, em solidariedade à greve de fome que seus filhos iniciaram alguns dias atrás dentro da prisão. É um protesto contra a brutalidade das autoridades contra os presos políticos. O destino de três jovens escaladores americanos e as lágrimas de suas mães também tem comovido o povo. Este regime prendeu parentes do advogado de Sakineh Ashtiani, Sr. Mostafaei, e os mantêm detidos até que ele se entregue às autoridades.

Presidente Lula da Silva, o Irã é um país com um regime brutal e criminoso. Um regime assassino deve ser condenado por todos os povos e governos. Permita-me, como uma representante do povo oprimido do Irã, dizer que eu não quero apenas salvar Sakineh e abolir o apedrejamento, mas também questionar todos os chefes de Estado a não reconhecer o regime islâmico como representante do povo iraniano, mas como uma ameaça ao povo do Irã.

Este regime é um governo do apedrejamento e execução que prende pessoas todos os dias e corta suas mãos e pés. Este é um regime que executa mais pessoas per capita que qualquer outro governo no mundo. Um regime como este não pode ser reconhecido por organizações internacionais e chefes de Estado.

Sinceramente,

Mina Ahadi
Porta-voz do Comitê Internacional contra Execução e do Comitê Internacional contra o Apedrejamento

2 de agosto de 2010"


Where's the love?

Hello, Irã! Não estamos mais na Era da Pedra Lascada. Percebi que o problema está (por parte de alguns) na interpretação dos ensinamentos de Maomé ao seu povo.

Matar alguém que trai o marido é, no mínimo, idiotice. Todos são livres para fazer o que querem. Respeito a religião islâmica (!) mas não concordo com esses atos arcaicos.

Eu sou mais um em defesa de Sakineh Ashtiani. Aplausos para Mina Ahadi e Luiz Inácio Lula da Silva.


Paz e tolerância, por favor.

1 comentários:

disse...

Foi esse pessoal aí que quis ver jesus na cruz, não foi a gente não mano. Agora esses fdp saem matando as mulheres por causa de traição, na ideia de que assassinato não é pior do que oque elas fazem. Os dois parecem errados, mas quem somos nós para julgar o que é certo ou errado? Sendo que nem sabemos o motivo da nossa existência. O mínimo que a gente pode fazer aqui é se respeitar e ter uma morte saudável, passe a diante '-'

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